sábado, 22 de março de 2014

Arte Reside


A arte não me pertence
Pertenço ao próprio apreciar
Próprio que não há
Que em mim apenas adentre

Pois escrever é mais que criar no papel
É revelar o que não está escrito
Lembrar é redesenhar o céu
É dizer a si o que poderia ser dito

Cantar é as notas achar
É procurar as notas que ainda não existem
Dramatizar é mais que encenar
É fazer da cena lugar onde os sonhos residem

Residir é um verbo que o João-de-barro desenhou
Lá em cima, nas árvores
Cantando, uma morada esboçou
Pra acolher seus amores

Elionai Dutra
Poemas

*Imagem: João-de-barro

4 comentários:

Nara disse...

Um poema de muita sensibilidade!

Quando você aprende a se deixar levar pelas palavras e se entrega completamente você consegue construir e revelar o que ainda não foi descoberto e essa sensibilidade que é pra poucos.

Parabéns pelo dom!!!

Abraço,
Nara! =)

Elionai Dutra disse...

Sim! É preciso deixar-se residir pela arte...

Muito obrigado! Teu comentário é mais que precioso para mim!

Abraço, Nara! :)

Lucy Santos disse...

Parabéns Eli....sempre deixando o nosso dia mais poético!

Elionai Dutra disse...

Muito obrigado, Lucy!!

Que os dias sejam assim e nos alegrem à noite...

Obrigado! ;)

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