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Um possível Natal

Por: Elionai Dutra Aos meus amigos desejo toda sorte de felicidade! Dizia Castro ao conversar com sua prima Soraia. Eles sempre se viam pessoalmente no Natal ou no Ano Novo, mas desta vez a conversa era pelo MSN. Castro dispunha de sua jovialidade, um "cara bacana" como era mencionado na roda de amigos, ou um "cara sensacional" na roda familiar. Soraia tinha uma graciosidade inigualável (se compararmos com suas demais primas), esbanjava amor em tudo que fazia e seu coração era mais mole do que uma manteiga derretida. Eles conversavam sobre amizade, que para Soraia era um bem mais precioso na jornada da vida. Começavam a descrever seus amigos, mostrando suas características, qualidades, defeitos e etc. Tudo na mesma proporção. Enquanto Soraia descrevia sobre uma amiga, Castro relatava sobre um amigo. Até que chegou numa história que faço questão de narrar, após pedi autorização para meu personagem. Espero que não se assustem com a situação, embora o sentido d...

Intimidade Amiga

Por: Elionai Dutra Eram Nove horas da manhã, em algum dia. Num pequeno vilarejo, poucos moradores transitavam pelos caminhos. Duas crianças no pátio de uma escola faziam um sonido amigável e risadas que me levou à aproximação das cercas que protegiam uma quadra. Subi para alguns bancos da praça e olhava-as sentado num deles, no qual me dava uma vista privilegiada das crianças. Eu as observava lentamente, como que tornando a brincadeira em quadros de pensamentos distintos da minha realidade, assistindo, com todo esmero, aquelas duas criaturas brincando, sem compromisso, e que viviam correndo como se o próprio ar que respiravam fosse seu mais singelo e fiel amigo.                  O relógio batia dez horas e trinta minutos da manhã daquele dia. Ainda brincavam com a bola nos pés, corriam para lá e para cá, num teatro que muito me instigava e me fazia encarar a minha vida de perto. Assim que uma delas olha p...

O caso da Rosa

Num quintal havia dois jardins, um era da filha do advogado Bernardes, o outro era do filho do jardineiro Joaquim. A distribuição das duas partes se deu no dia em que o jardineiro morreu; Bernardes queria recompensar de alguma forma e pensou em dividir o seu quintal para que o filho do falecido tivesse como se lembrar de bons momentos juntos com o pai e assim amenizar sua dor. Passaram-se cinco anos. O menino, que outrora tinha doze anos de idade, agora se torna rapaz e trabalha como jardineiro para Bernardes. Era difícil compreender naquele momento a dor de se perder um pai; foi então que Bernardes resolveu ter um diálogo com o jovem. Ao descer as escadas da bela casa, Bernardes hesitou em falar (isso porque não sabia o que falar para o filho de Joaquim, seu amigo); entretanto, tomou forças e em passos ávidos se dirigiu até ele: --- Posso conversar com você um momento, meu jovem? Disse Bernardes com um sorriso sôfrego no rosto a acenar para seu escritório. --- Sim senhor Bernardes,...

O Passado (Parte 1)...

Por: Elionai Dutra "Quando abri o Livro de minha vida, encontrei escavações inacabadas e de um jeito profundo conheci o medo. O medo, não de lutar na busca, mas de enfrentar o encontro final. Ao entrar em uma sala de investigação, os temores me sobrevieram de modo a lançar todos os pesadelos contidos em mim. Um dos "alguém" que estava me interrogando levantou de súbito empunhando uma arma em minha direção; fiquei apavorado, comecei a ter calafrios, nunca havia pensado neste momento, a dor começou antes de ser atirado o primeiro projétil.  Este alguém não me mostrou quem era, apenas fez perguntas difíceis, inconstantes e sofridas. Não me calei perante este alguém, as minhas aspirações de valores havia se extinguido, mas não me calei; disse todas as palavras guardadas no tempo, repassadas na vida e vividas no sofrimento. Aquele que me perguntava também declamava seus pormenores de intolerância. Os outros se aquietavam, pois detinham respeito e cumplicidade, na forma d...