Um possível Natal

Por: Elionai Dutra

Aos meus amigos desejo toda sorte de felicidade! Dizia Castro ao conversar com sua prima Soraia. Eles sempre se viam pessoalmente no Natal ou no Ano Novo, mas desta vez a conversa era pelo MSN. Castro dispunha de sua jovialidade, um "cara bacana" como era mencionado na roda de amigos, ou um "cara sensacional" na roda familiar. Soraia tinha uma graciosidade inigualável (se compararmos com suas demais primas), esbanjava amor em tudo que fazia e seu coração era mais mole do que uma manteiga derretida.

Eles conversavam sobre amizade, que para Soraia era um bem mais precioso na jornada da vida. Começavam a descrever seus amigos, mostrando suas características, qualidades, defeitos e etc. Tudo na mesma proporção. Enquanto Soraia descrevia sobre uma amiga, Castro relatava sobre um amigo. Até que chegou numa história que faço questão de narrar, após pedi autorização para meu personagem. Espero que não se assustem com a situação, embora o sentido da história tenha esta finalidade.

Era a vez de Castro teclar. Ele demora, e Soraia clica no botão "chamar a atenção". De súbito o rapaz começa a contar sua história: "Era noite de Natal. Eu e meus amigos estávamos na casa do nosso amigo Pedro, sempre nos reuníamos ali para cantar, tocar e conversar. As lembranças deste tempo me fazem sonhar com um Natal real, cheio de amor e esperança. Nós saímos às dez horas para encontrar mendigos e distribuir alimentos, você bem sabe que minha vida sem bondade é nada. Encontramos muitos necessitados, Paulo Henrique, o mais novo do grupo (tinha 17 anos) conversou com dois moradores de rua. Pedro, o mais velho (tinha 27 anos) escreveu as histórias dos filhos de mendigos que encontrou debaixo de três viadutos.

Gabriel (tinha 24 anos) era o distribuidor de alimentos, em cada ponto que parávamos ele já descia com as bagagens. João ( tinha 22 anos) levava seu canto e sua viola para as marginais, era um poeta excelente das ruas. Roberto (tinha 23 anos) desenhava para as crianças, fazia cartum e após terminar o desenho entregava roupas e calçados. Mateus (tinha 21 anos) era muito apegado a João e cantava juntamente com ele. Marcos (tinha 22 anos) tinha muita intimidade com os mendigos e moradores de ruas, por isso sabia de antemão o que falar e fazer perante eles. E eu, minha prima, aos 18 anos amava viver assim, nas ruas, no chão do mundo, na poeira da realidade, fazendo valer a pena o nascimento de Jesus, pois todos nós sabíamos que Jesus não tinha nascido no dia 25 de dezembro exatamente, mas era uma oportunidade de fazer a verdadeira diferença no Natal."

Bom, esta é a história do nosso amigo Castro no Natal do ano passado contada pelo MSN. Soraia pretendia encontrá-lo no Natal deste ano, mas só poderão conversar a distância, pois Castro está na África. E eu já estou saindo em direção a Angola, iremos mais uma vez, em um ano, fazer valer a pena o Natal.

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