Uma matéria a ser Revista

Por Elionai Dutra

Muitos que moram em lugares distintos do centro da cidade se esquecem dessa pergunta: “Como é o lugar onde eu vivo?” Outros que estão na “metrópole” não se preocupam com a falta de infra-estrutura em sua cidade. Por quê?

O lugar onde eu vivo começou sem nenhum planejamento de cunho social, territorial e administrativo. Os pormenores da “infra-estrutura” atual refletem um passado de perpetração e emancipação social ilegal. Uma dominação territorial bruscamente afoita de homens e mulheres migrantes de localidades rurais do nordeste brasileiro, trazendo em seus pulmões o arfar de um êxodo previamente avistado pela necessidade de melhorar suas vidas e reverem uma esperança de felicidade, nunca antes vivida, mas já então sonhada.

Mas esta fantasia se dissolveu em um acúmulo gradativo de problemas sociais – não que os trouxeram, mas que o lugar não era o “bastante” para se viver. Estes, – os problemas com a infra-estrutura da cidade, entre eles: a criminalidade, violência, pedofilia, falta de educação e saúde pública com qualidade, transporte coletivo sem medidas de tráfego e desinteresse a nossa cultura – gradualmente foram responsáveis por prejuízos sócio-econômicos e de natureza imoral, rechaçando os princípios éticos e os valores dos cidadãos.

O processo de cidadania neste lugar coloca-me na posição de ser um revolucionário consciente do bem e não um amante alienado, irracional ou medíocre. Esta minha revolução é uma resposta às contemplações de injustiças pensadas, sentidas e vividas por muitos. É uma inquietude pessoal pelo “por que” escrito nas primeiras linhas deste texto.

Não é conveniente nem amável abraçar valores desprovidos de ética dos ditos “cidadãos” – os que se conformam com a desigualdade e o apreço ao interesse particular. Mas não quero mudar de lugar. Espero, antes de tudo, que a justiça seja feita, mas que a “matéria humana cidadã” também faça sua parte. Quero que a solução dos problemas mencionados aqui e vividos nas ruas de minha cidade sejam dos cidadãos para o Cidadão; que o processo de cidadania comece – e termine – com a consciência voluntária de altruísmo em cada indivíduo participante, igualitariamente, de um mesmo bem comum: A vida.

A convivência de um pensamento consciente em um meio social onde “reina” a delinqüência e a inconseqüência é, honestamente, de inconformismo, visto que levo em consideração as decisões de direito e do “olhar o outro”, pois encerra uma matéria a ser redescoberta e revista por todos, a qual é definida por aqueles que estão aqui e pensam justificavelmente nas soluções de vida dos que estão “do outro lado” e precisa que aquele que produz o problema seja justificado praticando uma boa ação, visando o desenvolvimento igualitário do bem comum.

Em suma, precisamos rever os problemas aqui, não olvidando as origens onde moramos, tendo plena consciência cidadã e trilhando uma jornada para o bem, pois o processo de cidadania começa em nós – homens e mulheres que lutam por um lugar melhor – Nós somos a matéria prima a ser lapidada.

(Texto sujeito a alterações)  

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